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Um basta para os abusos

Movimentos de apoio às vítimas de violência e assédio ganham cada vez mais espaço e conquistam o engajamento da opinião pública


Nos últimos tempos, relatos de assédio contra a mulher estão sendo expostos quase que diariamente na tentativa de dar um basta nesse tipo de atitude. De acordo com uma pesquisa realizada em 27 países pelo Instituto Ipsos em conjunto com a ONG International Women’s Day, o principal problema enfrentado pelas mulheres é o assédio sexual (32%), seguido pela violência sexual (28%) e violência física (21%). Além disso, uma em cada três mulheres em todo o mundo sofreu algum tipo de violência física ou sexual, em sua maioria por alguém conhecido, segundo a ONU Mulheres.

Dados como esses ilustram a importância do surgimento de movimentos com o propósito de combater essas práticas. Grupos como o Time’s UP e a campanha #MeToo ganham cada vez mais força, trazendo à tona denúncias contra atos de assédio contra as mulheres e propondo apoio às vítimas.

Especialistas em direitos humanos da ONU declararam que movimentos como o #MeToo trazem a luz a desigualdade de gênero e a violência contra as mulheres. “Por meio de suas ações corajosas, essas mulheres lançaram um movimento global que quebrou o silêncio sobre o assédio sexual e outras formas de violência sexual frequentemente toleradas”, afirmaram em comunicado durante o Dia Internacional da Mulher.

De olho nos movimentos

A importância do Time’s Up, um dos primeiros movimentos a surgir nos últimos tempos, é inegável. Dois meses após seu lançamento, em 1º de janeiro de 2018, o grupo já coloca em prática suas primeiras iniciativas, usando seu fundo de defesa legal que já soma US$ 21 milhões. Entre elas, está a criação de um arquivo, em parceria com a StoryCorps, para registrar os relatos de pessoas de todas as crenças e origens sobre casos de desigualdade e abuso.

Por outro lado, a campanha #MeToo ganha força reunindo mulheres em suas redes sociais e indo às ruas para revelar suas próprias experiências com abuso. A #MeToo foi usada milhões de vezes no Twitter, no Facebook e no Instagram de 85 países diferentes. Essa ação foi criada pelo movimento “The Silence Breakers”, que chegou a ser capa da revista “Time” em 2017 como “Personalidade do Ano”.

“Estrelas de cinema não são, supostamente, como eu e você. Elas são esbeltas, glamurosas e cheias de si. Elas usam vestidos que não podemos pagar e vivem em casas que nós só podemos sonhar. No entanto, nos caminhos pessoais mais profundos e dolorosos, as estrelas de cinema são mais como você e eu do que imaginamos”, escreveu a revista para justificar o prêmio.

l.spinelli
Jornalista, relações públicas e colaboradora editorial da Bel Col em Revista.

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